10 de fevereiro de 2014

História #1: O Bosque - parte 6 (final)


Ana e Gabriel, esgotados, famintos, mas com a esperança de que tudo terminasse logo. Anoitecera e ainda estavam longe do lugar que avistaram, que a essa hora brilhava ainda mais. Depois de muito andar, param para descansar e apenas alguns minutos foram suficientes para que o cansaço dominasse seus corpos e ambos adormecem.

- Gabriel, acorde!

Já era dia, e Ana acorda Gabriel para que continuassem seu caminho.

- Encontrei essas amoras aqui perto. - Diz Ana, estendendo a mão para Gabriel.

- Como sabe que não são venenosas? - Gabriel fala com preocupação.

- Bom, eu comi, e estou viva. - Ana responde rindo para Gabriel.

- Ora, só você mesmo pra achar graça na situação que estamos, completamente perdidos.

- Não temos tempo a perder. Vamos logo! - Ana puxa Gabriel pelo braço.

Continuam caminhando, cada vez mais perto do seu destino. Até que percebem que o chão ao seus pés muda. Percebem estar pisando em algo brilhante e liso como mármore, e que parecia ser um caminho.

- Isso parece levar àquele lugar. - Diz Gabriel.

- Vamos tomar cuidado, pode ter alguém por aí. - Ana se preocupa.

Os detalhes e a perfeição do caminho de mármore fizeram com que ambos ficassem apreensivos. Não sabiam o que viria pela frente. Até que ao longe avistam alguém caído e ao perceber que é Yan, Ana corre para ver o que aconteceu.

- Yan!

Ele acorda, mas está debilitado, a batalha com a Sacerdotisa quase o matou. Se assusta antes de perceber que se tratava de Ana e Gabriel.

- São vocês. O que aconteceu? 

- Fomos parar em algum lugar e viemos caminhando até aqui, seguindo uma luz que vimos ao longe. - Disse Ana.

Yan olha em volta e tenta ativar seus poderes para analisar o mapa que guardava em seu colar, sem êxito. Estava fraco demais. Tenta novamente e consegue por alguns instantes.

- Acredito que estamos próximos do Altar. - Diz.

Ele então se levanta calmamente e os três continuam pelo caminho. Após algum tempo chegam em frente a uma longa escada, que parecia levar ao Altar da Sabedoria. Não tinham certeza, podia ser qualquer Altar, ou até mesmo outra coisa. Continuaram e subiram os degraus.

- E agora? - Ana questiona.

Uma enorme porta que brilhava como diamante. Não havia qualquer fechadura, apenas os dizeres: "Livre os puros. Longe os infiéis". Ambos se aproximam, não fazem ideia de como abrir aquela porta.

Ana coloca sua mão na porta, e tem a mesma sensação de quando tocou naquele ser azul, o Guardião do Ar. Parte da mensagem se apaga, ficando apenas: "Livre os puros". A porta então se abre e é possível ver um lindo lugar, que brilhava ainda mais, mas não cansava os olhos, era maravilhoso e todos se encantam.

Quando iam entrar, percebem que alguém chega atrás deles. Era a Sacerdotisa, e eles se assustam.

- Não deixarei que você faça isso! - Diz a Sacerdotisa, apontando para Yan.

Yan imediatamente empurra Gabriel e Ana para dentro do Altar e num movimento rápido entra e toca na porta por dentro. Os dizeres mudam novamente: "Longe os infiéis.". E a porta se fecha, deixando a Sacerdotisa presa do lado de fora.

- Finalmente o Altar da Sabedoria. - Diz Yan.

- Esperei muito por esse dia. Sabem quanto tempo levei pra acabar com os Guardiões?

Ana e Gabriel se olham e não entendem. Foram enganados o tempo todo por Yan, que precisava dela, a única de espírito puro o suficiente para conseguir abrir a porta do Altar.

- O que está acontecendo? - Ana pergunta.

- É isso mesmo, enquanto aprendia a controlar os poderes do colar encontrei um pergaminho antigo, com magias proibidas. As estudei sozinho e aprendi uma maldição que permitia prender qualquer um em outra dimensão. Diziam que ninguém tinha poder pra destruir os Guardiões, então dei um jeito de tirá-los do meu caminho, sem precisar destruí-los.

- Mas por que fez isso? - Questiona Gabriel, que não acreditava no que ouvia.

- Aqui dentro se encontra uma relíquia que possui todos os conhecimentos dos Guardiões, quem obtiver essa relíquia se torna a pessoa mais poderosa de Humius. Eu vim pegá-la. - Responde Yan.

Ana entende que foi enganada, mas não pretende desistir tão fácil. Estava ali com o intuito de salvar os guardiões e é o que ela pretendia fazer. Olha em volta e não vê nada que parecia tal relíquia. Havia apenas algumas portas e alguma delas levaria à ela.

Ela puxa Gabriel e ambos correm, entrando na primeira porta que veem pela frente. Uma sala enorme, com diversas estátuas e muitas outras portas. Aquele lugar parecia um labirinto, e a cada sala que entravam mais e mais portas surgiam. Passaram por salas com jardins enormes, outras com livros, algumas com artefatos misteriosos. Os dois pretendiam achar a relíquia antes de Yan.

Depois de muitas salas se deparam com uma completamente branca, em formato circular. No centro havia uma pequena pedra negra suspensa no ar, flutuando levemente. Seu interior parecia se mover enquanto continuava imóvel no ar.

- Com certeza deve ser a relíquia! - Diz Ana ao analisar aquele misterioso objeto.

A porta se abre e Yan entra na sala.

- Até que enfim encontrei vocês. E parece que encontraram a relíquia pra mim. - Yan diz com ar de superioridade.

Os dois não queriam permitir aquilo. Tal poder não podia estar nas mãos de alguém frio como Yankel. Ana corre em direção à pedra, mas Yan usa seus poderes. Apesar de estar fraco consegue derrubá-la. Gabriel então corre e consegue pegar a pedra. Yan tenta impedir e se aproxima.

Ao pegá-la, Gabriel percebe ser extremamente frágil e ameaça joga-la no chão se ele se aproximasse. Yan para a apenas alguns metros dele e diz.

- Você não faria isso, quem destruir a relíquia dos Guardiões será amaldiçoado. Você morrerá e ficará vagando por esse mundo eternamente.

- Melhor isso do que ver esse poder nas mãos de alguém como você. - Diz Gabriel.

Sem que percebam, Ana levanta e vai até Gabriel, tomando a pedra das mãos dele.

- O que está fazendo? - Pergunta Gabriel.

- Não permitirei que isso aconteça. Estou aqui por algum motivo, preciso salvar os guardiões e não deixarei que pegue esse poder.

Ana joga a pedra no chão. Ela quebra e um enorme poder emana dela. Ao fazer isso um portal se abre, e os Guardiões sabem por ele. Estavam livres da sua prisão em outra dimensão. O poder da pedra foi capaz de libertá-los.

- Nãaao! - Yankel tenta impedir, tarde demais.

Os Guardiões imediatamente retiram o colar de Yan e o jogam no portal antes que ele se fechasse. Fadado a ficar preso por toda a eternidade.

Ana cai, e Gabriel imediatamente a segura.

- Por que fez isso? - Ele fala, chorando.

- Não podia deixar aquilo acontecer, tinha que impedir Yan.

Gabriel, com Ana em seus braços, a mulher que sempre amou. Não podia perdê-la agora. Ele olha para os Guardiões, se perguntando se nada podiam fazer.

Ana fecha seus olhos, enquanto uma lágrima escorria em seus olhos.

- Eu cumpri minha missão. Salvei os Guardiões. - Sussurra.

Gabriel vê enquanto ela morre em seus braços. Não havia mais nada a se fazer. Ela se foi.

- Eu te amo, Ana - Ele diz, mas ela não podia mais ouvi-lo.



Algum tempo depois...

A normalidade volta à Humius. Com a volta dos Guardiões finalmente a harmonia reina naquele lugar. Gabriel não voltou para casa, quis ficar ajudando os Guardiões. Não havia mais nada que o fizesse querer voltar pra casa, Ana não estaria esperando por ele em seu mundo.

Passava os dias andando por Humius, ajudando a todos que necessitassem. Infelizmente não havia o que fazer por Ana, nem os Guardiões podiam alterar a maldição por ter quebrado a relíquia. Gabriel ainda sente a presença dela perto dele, e sabe que ela o acompanha em todos os lugares.

Uma longa história de amor. Gabriel não soube se era correspondido, e talvez nunca saberia. Tinha esperanças de, quem sabe um dia, revê-la em uma outra vida. A única certeza era de que seu amor por ela, esse sim, nunca morreria.


FIM
(Bônus)

Verbum volat, scriptum manet
Corvo Branco

4 comentários:

  1. ahh que triste, a Ana nao podia morrer hahaha
    mas enfim, ficou mto boa a história, foimto bom acompanhar a saga do inicio ao fim hahaha
    querologo a continuaçãoe logo o livroo *--*
    grande abraço =D

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    1. Muito obrigado. :)
      Que bom que gostou. Espero escrever muitas outras histórias ainda. hehe
      Grande abraço.

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  2. Realmente, a Ana n podia ter morrido =/

    Curti d+ a história, estou ansiosa pela próxima ;)
    N demore para começar, viu?

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    1. Vlw. :)
      Ah, mas bons finais são os inesperados. hahaha
      Não soube terminar muito bem, mas ta valendo.
      Espero não demorar pra postar a próxima.

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