14 de dezembro de 2013

História #1: O Bosque - parte 3


Uma semana se passara e Ana tentava obter respostas, mas a essa altura o que havia conseguido eram só mais perguntas. Entendera o que dizia o pergaminho, mas não sabia exatamente do que se tratava. Ela chegou a questionar se realmente eram pra ela aquelas palavras, mas seu nome no início do texto não deixava dúvidas.


"Ana que me curou e sua energia em mim caminha
Só você pode salvar-nos, mas não poderá sozinha
Vá até o bosque em que há tanto andou
E encontre o lugar no qual estou

Se esse lugar você encontrar
Tome cuidado em quem confiará
Poderá achar a ajuda que vai precisar
Mas além das fronteiras muito mal haverá"


Percorrendo o bosque inúmeras vezes ela não conseguiu encontrar qualquer pista. Onde viu aquele ser pela ultima vez não viu vestígio de nada que pudesse ajudá-la. Até que um pássaro pousa em sua frente. Ana o observa e nada nota de diferente, apenas um pássaro procurando por galhos secos para seu ninho. Se lembra então do dia que viu pela primeira vez aquele ser, e se dá conta de algo muito importante que havia deixado de lado.

- Os pássaros! - Diz Ana ao ter uma ideia.

Ela corre em direção à cidade, vê algumas pessoas caminhando pelo bosque mas os ignora. Chegando em casa vai direto ao sótão e pega uma caixa empoeirada, guardada há anos. Várias coisas haviam naquela caixa, mas ela queria algo específico.

- Isso deve servir. - Pensa.

Volta ao bosque e se prepara, em dúvida se funcionaria. Um amigo que andava por ali se aproxima e não entende o que ela faz.

- Oi Ana, o que está fazendo? - Pergunta.

- Olá Gabriel. Nada de mais, só um teste. - Ana responde.

Gabriel era da mesma idade de Ana, se conheceram pouco depois que Ana viu aquela misteriosa criatura no bosque, quando ele se mudou para a cidade, e desde então se tornaram melhores amigos. Era magro, usava óculos, com a barba por fazer e cabelos atrapalhados, sempre foi meio desleixado, era muito inteligente e constantemente ajudava Ana na época de escola. Sempre teve por ela um sentimento além da amizade, mas nunca teve coragem em dizer.

Ambos se conheciam muito bem, e Gabriel percebeu no olhar de Ana que se tratava de algo importante. Ficou observando o que ela fazia curioso.

- Estive preocupado com você, não te vejo desde o dia que nevou. - Diz Gabriel.

- Eu estava resolvendo umas coisas.

Ele nota que ela não está querendo conversa, e apenas fica a observando enquanto ela termina de arrumar as coisas.

- Tudo pronto. - Ela diz.

- Será que é alguma ocasião especial? - Gabriel pensa sem entender do que se trata.

Ana havia lembrado que ainda tinha alguns fogos artesanais de ano novo, que há tempos ficaram guardados e foram feitos por seu pai, esperava que pudessem espantar os pássaros e que eles a guiassem ao seu destino. Foi então que ela os acende, e ambos aguardam a explosão. Lindos fogos multicoloridos embalam os céus com escalas de vermelho e amarelo. A luz do dia não foi capaz de mascarar a beleza de sua luminescência.

Dezenas de pássaros se dissipam pelos céus e Ana fica apreensiva, não parecia estar funcionando. Até que todos começam a voar em uma única direção, e sem exitar ela corre para acompanhá-los.

- Espere por mim! - Diz Gabriel que já corria atrás dela.

Exaustos, eles chegam em um lugar nunca visto por Ana, uma árvore muito grande e sem folhas, com cor acinzentada, mas não estava morta, eles podiam sentir a energia que emanava dela. Todos os pássaros estavam ao seu redor, e saíram quando os dois de aproximaram.

Gabriel então percebe algo estranho, e chama a atenção de Ana para o que via.

- O que é isso? - Ele diz com receio.

Se aproximam e descobrem o que parece ser uma passagem por entre os ganhos da obscura árvore. Brilhava com tonalidades de azul semelhantes às que Ana já havia visto, não exita e entra no misterioso portal. Gabriel a acompanha, e pergunta do que se trata tudo aquilo.

Eles saem num lugar completamente sombrio e sem vida, ela almejando encontrar as respostas de que precisava, percebeu que ali era o lugar certo. Andam um pouco e param escondidos em alguns arbustos para que Ana pudesse contar tudo que aconteceu para seu amigo, sabia que a ajuda dele seria fundamental.

Ela terminava de contar os fatos a Gabriel, quando ouvem passos. Um som pesado, presumiram que era alguma coisa grande. Ficam muito assustados quando a criatura chega perto deles, não parece ser amigável. Era três vezes o tamanho deles, mas não parecia com nada que eles já tinham visto. Com uma pele lisa e em tons verde escuro, grandes dentes e garras assustadoras, seus olhos eram brancos e pareciam emanar luz própria, soltava um rugido extremamente alto e ameaçador.

- O que faremos agora? - Sussurra Ana.

- Não faço a menor ideia. - Gabriel fala com temor.


Continua...
Parte 4


Verbum volat, scriptum manet
Corvo Branco

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