26 de novembro de 2013

Transformar


Ele vem em tons enigmáticos, perfazendo as nuances do sentimento, trazendo consigo a maestria em seus versos. Pouco dissemos, mas muito foi transmitido aos sussurros de nossa alma e ao som de nossos corações. Quem seria ele? De onde vinha? Pouco sabia sobre a misteriosa pessoa à minha frente, e que poucos segundos foram necessários para despertar algo incompreensível.

Caminho em sua direção, a timidez nos arrebata. Aos poucos conhecemos um ao outro, quem diria, tanto em comum. Semelhante eram os interesses, e a mesma vontade de amar. Pouco precisou para o primeiro beijo, apenas o silêncio é ouvido, o mundo não mais girava, o tempo parou ao nosso toque.

Mas... quem seria ele?

Muito vivemos e muito foi dito, sentimos os maiores e sublimes contrastes do amor. Entendemos que amar não nos é dado em momentos felizes apenas, mas em todos os momentos. Várias são as formas do amor, e quem ama se doa ao outro e se permite ser quem o outro precisa em cada instante.

Transformei, guiei, amparei, orientei. Doei minha essência em torno da nossa relação, e pouco recebi em troca. Aos poucos percebo que muito fiz, muito sofri, muito vivi, muito aprendi. De tantas coisas descobertas, era clara minha evolução enquanto pessoa, enquanto ser humano. Intensamente, essa palavra expressa o que vivemos. 

Mas, uma questão ainda não pude responder... quem seria ele?

Nos desentendemos, brigamos, fizemos as pazes, nos amamos novamente. Um amor que só aumentava, me fazendo ainda ter esperanças de algo. Esperanças de que? Não sei, apenas esperança. Talvez de um mundo melhor, onde exista apenas o amor entre as pessoas. Talvez apenas esperança de que nosso sentimento nunca acabe.

Um dia, sem perceber, ele veio, como sempre, mas algo aconteceu, ele se foi, deixando em mim o vazio, a lacuna em meu coração ainda aberta, como uma estaca cravada em meu peito, sem que eu pudesse remover.

Mais perguntas não soube responder. Porque se foi? Tudo o que vivemos faz parte de algo maior, não compreendemos de fato o porquê de nossas experiências, mas sabemos que isso nos será revelado em algum momento.

Mas... quem seria ele?

Ainda não posso responder essa pergunta, apenas sei que ele, bom, não sei quem é ele, mas o que vivemos sempre fará parte do meu ser, e muito devo a ele por ter me proporcionado ser feliz, mesmo que por alguns instantes.


Verbum volat, scriptum manet
Corvo Branco

4 comentários:

  1. Não gostaria de te chamar de Corvo, mas, enfim. Lindo texto, muito profundo!
    Obrigada por deixar que eu tenha me visto, da primeira à última linha, nessa história.
    Abraços,
    de um Chá pra um Corvo!
    =D

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    1. Muito obrigado. Que bom que gostou, eu nunca havia escrito, resolvi criar o blog e escrever coisas que me vierem à mente, ou baseadas na minha vida, como o caso desse post. Fico realmente feliz que alguém tenha lido e gostado.
      O seu blog que tem textos lindos. :)

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  2. Após você ter comentado num dos textos do meu blog (Chubble e Eu), tive curiosidade e resolvi dar uma olhada nos textos dessa tal de "Corvo Branco".. kkk E, cara, você escreve muito bem! Adorei o texto. Pode ter certeza de que continuarei seguindo o blog, esperando pra ler mais do que você escreve.

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    1. :-)
      Que bom que achou legal. To meio sem tempo, mas vou escrevendo assim q der. Hehe

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